Até onde vai a vontade de ser manchete e ter publicidade? O prefeito João Dória Jr humilha publicamente uma funcionária e afirma que “nós vamos colocar um pouco mais de força na gestão administrativa”.

Antes, assista ao vídeo:

Agora, veja a resposta de Soninha:

“Foram 175 dias incrivelmente intensos – desde que aceitei o convite, como era de se imaginar. Amei (como sempre amo) cada uma das longas horas de expediente, as pilhas de processos (juro!), as vistorias de madrugada, os amanheceres no Viaduto do Chá, os despachos com o Jurídico e as Coordenadorias Básica e Especial e a CAPE, as reuniões com Defensoria Pública e ONGs e movimentos e outras Secretarias, as audiências com Judiciário e Ministério Público, as noites estudando minutas de decretos e termos de convênio e portarias e indicadores e planilhas e instrumentais e o MROSC de cabo a rabo, os debates sobre crianças e adolescentes e famílias e idosos e pessoas com deficiência e cadastro e benefícios e mulheres vítimas de violência e… população de rua!, a construção com esmero de um plano para cenas de uso, começando pelo território hiper complexo da “cracolândia” ETC . Não correspondi ao ritmo do prefeito, e olha que eu ando rápido rs. Mas eu sou minuciosa, questionadora, (chata!), “pessimista no pensamento e otimista na ação” (a tradução do Gramsci que mais me contempla). Fico chacoalhando os alicerces para ter certeza de que sustentarão a estrutura; para que caia o que não está firme e consigamos reforçá-los na medida exata. Até porque tem coisas que exigem um pouco menos de pressa. Mas serei uma vereadora muito, mas muito mais bem informada do que seria se não tivesse passado por aqui. Agradeço às trabalhadoras e trabalhadores querid@s da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social – SMADS pelas semanas intensas. E não pensem que vão ficar livres de mim. ?”

 

Não é “só” {{notou as aspas ?}} machismo. O vídeo humilha publicamente uma {{ex}}secretária e vereadora. A cara de Soninha ao observar o show publicitário de João Dória diz mais, bem mais do que qualquer texto. Fosse uma empresa, como estas que Dória adora bajular, e o nome disso seria assédio moral.

Mais do que isso, é preciso observar quem vai ser o novo secretário. O nome dele é Filipe Sabará. E quem é Filipe Sabará? Bem, este humilde escriba já havia descrito o cidadão, em reportagem ao Democratize.

{{não acredite em mim – Democratize}}

 

A Veja São Paulo, com o viés de sempre, define bem o bom moço:

{{não acredite em mim – Veja SP}}

 

 

A mesma reportagem de Veja SP afirma: “A inspiração para criar a ONG veio da comunidade terapêutica de San Patrignano, no norte da Itália. Lá, os cerca de 1 300 internos em tratamento recebem auxílio-saúde, moradia e a chance de aprender uma nova profissão. O resultado dessas aulas são produtos como pães, vinhos, bolsas e móveis, que mantêm financeiramente cerca de 50% da instituição.”

O tal sítio e as oficinas profissionais de agricultura nada mais são do que o bom e velho método das comunidades terapêuticas, cujas ações já foram criticadas em toda parte. São críticas que dizem respeito à humanização e ao tipo de trabalho desenvolvido por muitas dessas comunidades, onde os internos produzem {{sejam produtos agrícolas, sejam objetos artesanais}} e o produto é vendido para pagar sua estadia na comunidade. Não é difícil ver onde isso se dará.

Filipe, bem como o prefeito, foi um dos responsáveis pelas desastrosas ações recentes na cracolândia, como a citada na reportagem de Democratize. Mais do que isso, se você considera este blog por demais tendencioso, leia o que diz um veículo bastante apoiador do governo Dória Jr: “O bom trânsito com figuras influentes da cidade, claro, é sempre uma ferramenta crucial — especialmente para conseguir dinheiro.”. As palavras são de Veja SP, mas a gente põe logo o print para facilitar sua vida:

{{não acredite em mim – Veja SP}}

 

pressa citada por Soninha Francine não se refere às horas de trabalho. A pressa do prefeito e de Sabará é de limpar a cracolândia. Higienizar. Some-se isso aos projetos imobiliários da região da luz, que havia ficado em segundo plano na gestão anterior voltaram à tona. Quem iniciou esse processo de higienização foi Kassab, em sua gestão.

A ideia, por óbvio, é fazer dinheiro com uma região central da cidade, cuja valorização financeira depende da ausência de moradores em situação de rua e vulnerabilidade. Não se trata de defender Soninha Francine, neste caso {{aliás, em nenhum caso}}. Trata-se de ver para além da cortina de fumaça gerada pelo prefeito-fantasia.

E quando a fumaça abaixar, vai surgir uma mina de ouro. Os especuladores, além de Sabará, agradecem.