A expressão “A lei deve ser igual para todos” geralmente nos trás a mente um ambiente justo, saudável e ideal. No entanto se pensarmos a respeito das situações individuais, teremos a clara impressão de que isso não acontece…

Por isso pergunto: A lei deve tratar igual aos diferentes?

É bem verdade que tivemos recentemente um fato inédito em nosso país. Pela primeira vez na história foi preso um político de cargo executivo em exercício de seu cargo, e mais recentemente ainda (na verdade na noite anterior a este post) ele foi mantido preso pelo STF.

É preciso ter em mente que Arruda está preso não pelo crime que, supostamente, cometeu (você, certamente, se lembrará dos vídeos e dos panetones) mas por ter sido comprovado que ele prejudicou o andamento das investigações a respeito do crime…

Eis um caso da lei tratando como igual um ser que tem um poder desigual (afinal, é representante da população de Brasília) e que nos deixa muito feliz.

Há, no entanto, casos em que a lei trata de maneira igual crimes que a população pensa serem mais graves.

E aqui se faz necessário lembrar o porque da população achar este ou aquele crime mais ou menos grave.

Você certamente se lembrará do caso do menino João Hélio, de fato, um horror.

Ainda pior do que o fato, em minha humilde opinião, foi a cobertura para lá de sensacionalista que a mídia fez do caso. Criou-se uma novela, trágica, onde o menor infrator (e assassino) foi o bandido mal e os pais, bem como o menino morto são os santos injustamente vilipendiados.

E daí? Daí que o caso foi julgado e as tramitações feitas. Resultado?

O menino assassino foi preso e, quando solto recebeu proteção da justiça. [não acredite em mim].

A mídia novamente gritou, esperneou e fez do caso outra novela. Era inaceitável, na cabeça dos grandes editores, que um assassino recebesse proteção policial.

A verdade é que a lei trata a todos como iguais. O menino foi preso, cumpriu sentença, e foi ameaçado de morte depois de solto. Não que a mídia tenha algo a ver com isso, claro que não. Ela só cria o joguete, não diz diretamente a ninguém que o assassino deveria ser morto. Mas dá a entender.

Depois de nova pressão da mídia o garoto voltou ao regime semi-aberto (saindo apenas para a escola) e perdeu a proteção policial. [não acredite em mim]

Agora imagine a situação do menino(-assassino), amplamente exposto, indo até a escola e sentando-se ao lado dos colegas de classe para assistir uma aula. Imagine a professora, depois de toda a novela, como vai lidar com o garoto-assassino, que criou-se no lugar de Ezequiel (o monstro é ser humano e tem até nome, imaginem…).

Há um motivo pelo qual a imagem acima carrega uma balança, uma espada e uma venda nos olhos.

A venda serve para que não saiba quem está a julgar em cada lado da balança. E a espada serve para cumprir a decisão da balança.

Não importa quantas novelas nós tenhamos que assistir.