Querendo a imprenÇa ou não, as novas mídias chegaram e conquistaram seu espaço como fontes de informação importantes para uma boa parcela de seu público. Agora, ela tem que aprender a lidar com essa coexistência e sobreviver na era onde a Internet e os gadgets cada vez mais substituem o papel – em ambos os sentidos – da geração da banca de jornal.

Para entender a relação entre a imprenÇa e as novas mídias, é fundamental saber um pouco de como estas surgiram, cresceram e apareceram.
Meados da década de 90:
Até aqui, a imprenÇa mal se preocupava com a Internet. O acesso, no Brasil, ainda era bastante restrito e por isso mesmo era uma curiosidade a se apresentar em matérias sobre tecnologia.
Anos 2000 até 2006:
  • Crescimento vertiginoso, milhões de novos blogs de políticos, jornalistas, acadêmicos e qualquer outro tipo de pessoa com um teclado na mão e uma ideia na cabeça (que Glauber Rocha me perdoe);
  • Surgimento da figura do blogueiro profissional, que ganha por posts e outros que são contratados e vivem disso;
  • Blogs passam a ser fontes primárias de notícias para uma parte cada vez maior do público na Internet;
  • A partir de 2004, criação e expansão de Orkut, Facebook e do conceito de redes sociais.
Aqui nesse período começa a reação da imprenÇa ao novo meio, no início a criação de sites simples, depois mais dinâmicos e por fim convencidos a entrar na roda da blogosfera, mas ainda ignoravam a novidade das redes sociais, que as tratavam em suas matérias com maior ou menor desprezo:

“[…] foram contaminados por uma praga que surgiu na internet […]” – Fanático Show da Vida, sobre o Orkut (01/08/2004) 

 

 

Até aí pelo menos atrasaram “só” alguns meses para noticiar a criação da rede, sinal de que estavam mais ligados no que acontecia na Internet, mas que era algo ainda secundário a eles em importância. Enquanto isso os blogs de membros da velha guarda eram criados – Nassif e Reinaldo Azevedo, em 2005 e 2006, começaram os seus – as redes sociais se popularizaram e se tornaram o assunto da vez para o público.

Anos 2007 e 2008:
  • Os blogs (de informação e opinião) aqui já se tornaram melhores e mais confiáveis que os veículos tradicionais;
  • Blogueiros especialistas em seus nichos, ou com atuação política, já se tornam nacional ou internacionalmente conhecidos.
  • Surge o Twitter, com seu serviço de (micro)blog unido à estratégia de manter uma rede de contatos, como nas redes sociais.
Nesse período a imprenÇa começa a perder a queda de braço para manter seu status quo e se volta a duas linhas: passam a criar e manter blogs institucionais e de seus funcionários por um lado; por outro, iniciam o uso de sensacionalismo em cima de incidentes envolvendo usuários de redes sociais, blogs ou outros recursos na Internet. Também aumenta a quantidade de matérias sobre a rede, mas sempre tratando como território novo, estranho, em vez de desmistificar seu uso.
Atual, 2009 até hoje:
  • Explosão do uso de dois serviços em especial: Twitter e Facebook, integração do uso dos dois como ferramenta de divulgação de blogs, pessoas, artistas, produtos, serviços etc;
  • Novos modelos de distribuição de conteúdo digital, em smartphones e tablets (ex: iPhone e iPad);
Mensagens curtas e divulgação de conteúdo de maneira viral e em tempo real: a era do “Aqui e Agora” (sim, referência) foi criada por Twitter e Facebook. As pessoas criando, consumindo conteúdo e se comunicando instantaneamente, na hora e local que desejam, se desligam aos montes de boa parte da velha imprenÇa. Apenas os veículos que souberam se adaptar e usar adequadamente as novas ferramentas é que conseguiram fidelizar seu público. Algumas mídias, especialmente o jornal impresso, vem decaindo e já sofreram as primeiras baixas por morte natural, como o Jornal do Brasil.
Mas afinal: a imprenÇa entendeu as novas mídias ou não? A resposta é: talvez.
O fator de informação em tempo real, de qualquer lugar para qualquer lugar do mundo, foi um golpe duro para ela, mas no geral a recuperação veio, no uso dos formatos e linguagens da Internet (blogs, redes, twitter). O grande problema, para eles, é que os velhos formatos de mídia estão desgastados e dificilmente vão se recuperar: mais cedo ou mais tarde os impressos e a TV como é hoje vão ter seu fim oficialmente decretado.
O outro fator a se levar em consideração é que a Internet e suas ferramentas permitiram finalmente que o usuário, leitor, pudesse se sentir parte do processo de criação e divulgação colaborativa de informações de todos os tipos, ao contrário da postura passiva que sempre adotou – por falta de opção – em relação aos impressos, rádio e TV.
A resposta da pergunta no título tem muito mais a ver com esse último ponto: as pessoas já aprenderam que podem sim participar de toda a cadeia de produção da informação, se a imprenÇa simplesmente migrar de um formato de mídia antigo para o novo mas não mudar de atitude em relação ao seu público, ela possivelmente está fadada ao ostracismo. Nos resta esperar por esses próximos anos, quando afinal vamos ver se o processo de separação de joio e trigo jornalístico, ou se usarão as novas armas para fazer o grande público voltar a seguir da mesma maneira de antigamente.
Por Eduardo Miranda (@eduardomps) – computeiro, blogueiro, twitteiro e viciado em informação e tecnologia.
Inscreva-se em nossa Newsletter

Inscreva-se em nossa Newsletter

Não perca nenhum conteúdo. Não se preocupe, seu e-mail não será repassado a ninguém.

Obrigado, sua inscrição foi feita!

Compartilhar

Compartilhe esse artigo!