A sessão extraordinária da Câmara Municipal de São Paulo aprovou nesta terça-feira o dia do Orgulho Hétero. O projeto de lei é de autoria de Carlos Apolinário {{DEM}} e passou por votação simbólica {{aquela em que os favoráveis permanecem como estão e os desfavoráveis devem demonstrar sua posição, devido à maioria ampla}}.

Agora o projeto depende da aprovação do prefeito nota 10! para valer. O dia do orgulho hétero será – se sancionado – sempre o 3º domingo do mês de dezembro.

Votaram contra o projeto:

  • Todos os 11 vereadores do PT
  • Todos os 2 vereadores do PCdoB
  • Gilberto Natalini, Claudio Fonseca do PPS
  • Cláudio Prado do PTB
  • Juscelino Gadelha, Tripoli e Eliseu Gabriel do PSB

 

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Chega a beirar o ridículo a explicação do porquê é ridículo o tal dia do orgulho hétero, mas vamos lá…

Primeiro esclareço que o assunto já foi tratado aqui nas vezes:

Então vamos ao início…

O dia do orgulho gay surgiu porque em 1969 {{sociedade avançada, a paulistana…}} um grupo de pessoas {{tem leitores paulistanos, é bom lembrar que tratamos de seres humanos}} cansadas de serem agredidas pelo simples fato de estarem vivas e relacionarem-se com pessoas do mesmo sexo, resolveram se “rebelar”.

Isso tudo em volta de um bar chamado Stonewall, em Nova Iorque.  O dia 28 de junho de 1969 foi marcado pelo confronto deste grupo de pessoas, bem como os outros três dias que seguiram {{não acredite em mim}}.

A data ficou conhecida como Dia Internacional do Orgulho Gay, porque, aparentemente o resto do mundo entendeu que a criação de um dia de ORGULHO é um contraponto a todos os outros dias onde querem que as pessoas em questão vivam com vergonha.

Em São Paulo o vereador Carlos Apolinário {{DEM}} propôs e a Câmara topou a criação do dia do orgulho hétero {{alguém irá exigir letras maiúsculas?!}}. Segundo o vereador os gays têm muitos privilégios.

Um desses privilégios, segundo o vereador é o seguinte:

“Na Paulista, as grandes manifestações estão proibidas por causa dos hospitais. Mandaram a festa da CUT e a Marcha para Jesus para outros lugares. Mas a Parada Gay pode. Por que só ela? É um privilégio inaceitável. Por que não fazem a Parada em Interlagos?”

A Parada do Orgulho Gay é o segundo evento que mais traz dinheiro à cidade, perdendo apenas para a Fórmula 1 {{não acredite em mim}}.

Não se trata, portanto, de privilégios, mas de economia. Mas já que falamos de privilégios, vamos ressaltar alguns deles:

Privilégios da comunidade gay

  • Foram documentados 260 assassinatos de gays, travestis e lésbicas no Brasil no ano passado, 62 a mais  que em 2009 (198 mortes), um aumento 113% nos últimos cinco anos (122 em 2007) {{não acredite em mim}}
  • Demissões pela orientação sexual
  • Salários menores do que héteros para as mesmas posições e cargos
  • Um casal gay não pode colocar seu parceiro(a) como dependente em planos de saúde, por exemplo.

Não há um só caso em toda a história da humanidade, de assassinato de uma pessoa pelo motivo puro e simples de dar as mãos a uma pessoa de sexo oposto. Não há casos registrados de demissão de qualquer funcionário em qualquer empresa pelo fato de abraçar uma pessoa de sexo oposto.

Mas em São Paulo temos o Dia do Orgulho Hétero prestes a ser sancionado pelo prefeito. A mesma São Paulo que registrou uma passeata nazista {{não acredite em mim}}.

Se eu estudasse psicologia diria que a criação de um dia do orgulho hétero é projeção. Ainda bem que não estudo.

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