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Finalmente tivemos o 1º turno das eleições de 2014.  Digo finalmente porque qualquer um que se importe com eleições, que goste de política, ficou completamente perplexo com os rumos do pleito nacional.

Mas, diria o ET que se ausentou durante alguns meses, o resultado foi o mais previsível possível, exceto, é claro, que não foi.

Parece bizarro, mas não. Senão vejamos:

{{ não acredite em mim - IBOPE}}

{{ não acredite em mim – IBOPE – PDF}}



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O resultado final, 42% dos votos válidos para Dilma Rousseff, 33% para Aécio e 21% para Marina seriam, provavelmente muito próximos caso o nome dos 21% não fosse Marina, mas Eduardo Campos.

Sim, na foto ele tem apenas 9%, mas na foto não havia campanha na televisão e boa parte do país não sabia quem ele era.

Acontece, sabemos todos, que muita coisa aconteceu nesse meio tempo. Eduardo Campos sofreu uma tragédia de avião, que abalou não só o país, como as intenções de voto. Turbinada pela emoção e de um discurso vazio de negação política, Marina Silva foi subindo, subindo, subindo… Até que se tornou um entrave real aos que eram favoritos para realizar o segundo turno.

O blog já fez uma matéria mostrando a incoerência dos diversos discursos de Marina Silva. Mas este não é o dado que realmente preocupava o blog.

Independente de sua preferência política {{o blog vota Dilma, como sempre deixa claro para que você não se sinta iludido. A ideia não é tentar te enganar, como a folha.}} teremos um segundo turno essencialmente político.  E isso é ótimo para uma República recém-democrática.

Marina Silva veio para o jogo com o discurso da negação política, travestido de nova política. Nunca explicou o que é isso, realmente.

Mas sempre soltou frases como:

{{não acredite em mim - Site Marina Presidente}}

{{não acredite em mim – Site Marina Presidente}}

O principal problema da frase: Vou governar com os melhores ; é definir exatamente quem são os melhores. E, principalmente, quem define quem são os melhores.

Por princípio lógico, todo presidente(a) eleito(a) pretende governar com os melhores. O próprio Aécio fez questão de dizer várias vezes isso. A questão é que, também por princípio lógico, se uma pessoa define quem são os bons, a mesma pessoa define quem são os ruins. Ou, no caso, os piores.

Enquanto Aécio Neves falava de redução da inflação – especialmente a alimentícia – , previsibilidade econômica e maior crescimento do PIB, Marina falava de governar com os melhores.

Enquanto Dilma falava de redução da pobreza, aumento real do salário mínimo e da geração de empregos; Marina continuava falando de governar com os melhores.

O Brasil, desde sua redemocratização, elegeu sempre projetos de governo com a imagem  de um(a) presidente(a) estadista, forte, capaz de reagir com firmeza caso necessário.

Sim, teve Collor. Na primeira eleição da redemocratização brasileira. De lá para cá, a eleitora {{e, por ventura o eleitor}} sempre preferiu figuras com projetos políticos. E a República se fortalece a cada novo pleito.

Se em 1994, FHC se elegeu por conta do plano real {{que ele jura que foi ele quem fez, mas que o Presidente à época nega, assim como Ciro Gomes – não acredite em mim}}. Em 1998 se reelegeu por conta, basicamente, da previsibilidade econômica do país. A população sabia o que esperar, o que, à época, era muito.

Depois Lula se elegeu prometendo diminuir a distância entre ricos e pobres. E se reelegeu basicamente por ter feito a mesma coisa.  Dilma se elegeu por ter a imagem de mulher firme, técnica, administradora. Com um projeto desenvolvimentista, de grandes obras. Será reeleita? O blog pensa que sim. Mas com dificuldades.

Já Marina, no meio disso tudo, apareceu como uma estranha na brincadeira. Surfou na onda das manifestações de junho de 2013, que foram um misto de raivinha classe-média, com a real e justa reivindicação de melhores serviços públicos. Um movimento de difícil compreensão: ao mesmo tempo em que se tem raivinha da política, se exige mais política para a vida cotidiana.

Some isso ao desastre que pegou o planeta todo de surpresa e temos uma subida relevante das intenções de voto.

 

{{Crédito da foto: Grupo Foto C3}}

Mas o que Marina chamou de ataques sórdidos e tanto PT como PSDB chamaram de desconstrução política foram fundamentais para que Marina perdesse votos. Enquanto PT e PSDB discutiam o que estava escrito no programa de governo de Marina, ela chorou…

Ao contrário do que a ImprenÇa fala, a discussão eleitoral este ano foi mais política e republicana do que nunca. Há 4 anos atrás José $Erra propunha um debate eleitoral a respeito do aborto e da bolinha de papel. Este ano tivemos um intenso debate a respeito de inflação; crescimento do PIB; papel do banco central.

Ganhe quem ganhar, nós, eleitores, já temos nossa vitória. Dois projetos políticos e politizantes disputam um segundo turno que não deverá ser fácil.

Mas, sobretudo, discutem projeto de país. E isso é uma vitória em tanto.

Viva a velha e boa política. A política do projeto de governo, da escolha de que país queremos. E vamos às urnas!

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