E eis que finalmente o povo pôde ouvir um Pronunciamento de Dilma Rousseff {{veja abaixo}} enquanto meia dúzia de usuários de whatsapp fizeram o que eles chamaram de panelaço, contra a Presidente.

http://youtu.be/5kxxxoVeOwg

 

Panelaço, caso você aí desconheça, é uma modalidade de protesto onde os cidadãos pegam uma panela vazia e uma colher e saem às ruas batendo nela. É um protesto muito, muito complexo de se entender. Há uma série de símbolos cifrados nesse tipo de revolta:

  • Uma panela vazia que representa uma panela sem comida dentro;
  • Uma pessoa segurando enquanto grita palavras de ordem, que representa uma pessoa descontente.

 

Eu sei, é natural que você não tenha compreendido direito a metáfora. Muita gente se debruça anos e anos na semiótica e nas universidades mundo afora para entender o porquê disso.

Mas, para sua sorte, eu explico: é um protesto muito usado pelas classes mais pobres quando querem dizer que falta comida na mesa deles.

99,9% das pessoas que leem esse post não precisam da explicação acima, motivo pelo qual o blog se desculpa. Mas a classe média, sobretudo a paulistana, parece que não entendeu, por isso explico. É que tá na moda ir para Buenos Aires, e essas criaturas observam isso acontecendo por lá e resolvem reproduzir cá.

Claro, que não na rua, que protestar na rua é coisa de comunista, mas das varandas!

{{A Revolta do Terraço Gourmet, não é relevante, mas é engraçado}}

Dilma finalmente fez o que devia ter feito antes de Levy anunciar as tais medidas de ajuste. Explicou para a população, em um pronunciamento em cadeia nacional, os motivos pelos quais as ações fiscais estão sendo feitas. Deu um prazo para normalizar a economia: “a situação deve se normalizar já no final do segundo semestre deste ano”.

Falta muito. Falta explicar porque ainda não fez, depois de 4 anos, nenhuma tentativa de taxar heranças e grandes fortunas, como é feito em qualquer país minimamente civilizado. Não explicou porque não negociou as medidas com as classes sindicais antes de apresentá-las ao congresso, é verdade.

Mas fez um pronunciamento primoroso, se comparado ao vácuo comunicativo que tem sido característica do seu governo {{ou, para ser exato, dos seus governos}}.

Falou o óbvio, vai sancionar a lei do feminicídio, um avanço civilizacional, educacional, diria até evolucionista que o país dá. Ponto para o congresso que aprovou a lei {{um respiro progressista num lodo de conservadorismo que deve ser comemorado}} e ponto para a 1ª Presidenta  que este país teve. Avanço, portanto, também simbólico.

Seu governo e seu partido ainda precisam aprender a fazer comunicação, é verdade. Demorou muito, uma eternidade para falar com a população. E seu partido passou o dia avisando no whatsapp que haveria um tuitaço e um facebookaço {{tem que ter um sacaço para ficar escrevendo e lendo esses termos da modernidade, convenhamos}}. Enquanto isso a oposição organizava uma revolta do terraço gourmet {{sério, quem leva isso a sério??}}.

A ação da oposição, embora tosca, demonstra claramente que está dez anos à frente do PT. Em 2010 ia ser legal promover um tuitaço pela Presidente, hoje é irrelevante. A ação da oposição é igualmente irrelevante {{mesmo com a ajuda da grande mídia, que divulga até manifestação de pulgas amestradas, desde que contra o governo federal; enquanto ignora 15 mil pessoas na porta do governador de SP}}, mas é moderna, nova.

É como eu ouvi outro dia numa reunião:

O PT parece um Big Brother… Enquanto os grupinhos de dentro da casa brigam feio para ver quem é que vai para o paredão, a galera de fora da casa é que tem o voto que decide

E a executiva do PT decidiu que é ruim ir para a rua. Esse blog, como já disse no post “Ou vamos para a rua ou perdemos o governo de vez“, se mantém convicto em suas ideias.

Dia 13 tem manifestação em todo o país, em defesa da Petrobras: