A frase de  Dante Alighieri é a porta de entrada do inferno. Dante, em A Divina Comédia. A frase original seria: Lasciate ogni speranza, voi che entrate. Mas são os brasileiros que são colocados no lugar de Virgílio na atual viagem aos círculos infernais. Afinal, haverá impeachment da Dilma Rousseff?

O mundo político vive momentos do mais alto cinismo. Temos uma Presidenta que é uma técnica – das mais competentes, incapaz de formar uma equipe política à sua altura ou de se comunicar de forma eficiente – sendo alvo de uma chantagem de um político que tem como ficha corrida currículo a participação de escândalos que vão longe na memória – pergunte a ele sobre o PC Farias.

Acompanhando o caldo uma imprensa tão cínica quanto os partidos de oposição. Ela – a imprensa –  que consegue ao mesmo tempo chamar de confronto a tropa de choque jogando bomba em estudante e fazer editorial chamando de delinquentes adolescentes que ocupam as escolas com a vontade – tão simples quanto genial – de apenas manterem-se estudando.

A oposição que antes de Cunha acatar o pedido de impeachment dizia que ele tinha de ser cassado, depois do aceno positivo ao impedimento, súbito, tornaram-se aliados. Ao menos enquanto Dilma permanecer. A oposição de esquerda, ingênua que só ela, pede novas eleições em 2016 enquanto se diz contra o impeachment de Dilma. Mesma posição de, vejam só, Marina Silva.

O vice presidente, até então figura centrada e discreta, resolve enfiar uma melancia na cabeça em forma de “carta quase pública-que-foi-vazada”. Nela diz que tem sido meramente decorativo. E se mostra cada vez mais favorável ao processo que quer tirar Dilma do poder. Cinicamente esquece o vice presidente que as razões para o impedimento possuem a caneta dele próprio – que assinou mais de 10 das pedaladas fiscais, num montante de mais de 10 BILHÕES de reais.

Enquanto isso Cunha, é julgado na comissão de ética. Atropela regimento, tira relator e faz de tudo para atrasar o processo que vai lhe sacar do poder. No contra-ataque ele ignora a constituição e institui um rito criado por ele mesmo para dar força à sua chantagem.

E nas revistas de fofocas temos Senador ofendendo de forma machista uma ministra. Que revida jogando um copo de vinho. Na Câmara num dia quebram-se urnas, joga-se a constituição na cara de um; noutro deputados saem às vias de fato.

O judiciário que até ontem se colocava acima do bem e do mal finge que não viu seus ministros sendo citados por um ladrão pego com a boca na butija no telefone. Suspende um rito criado e não faz nem menção de levar preso o Presidente da Câmara, cujas acusações vão de evasão fiscal até ameaças de morte {{no plural}}.

Tudo isso sob títulos e conversas fiadas de moralização da política nacional. Os debates a respeito do pré-sal cessaram, enquanto os deputados preferem gritar. Na calada da noite o Senado aproveita a sombra para aprovar um projeto que protege o trabalho escravo. Isso mesmo, protege o trabalho escravo, não o escravizado.

Manifestações pululam aqui e ali. Dilma volta a se reunir com o vice e os dois saem da reunião com o compromisso de um diálogo franco e sincero. Cunha troca o relator do processo que o está cassando e o final feliz hollywoodiano parece distante, com ou sem queda da Dilma.

Lasciate ogni speranza, voi che entrate na política nacional.

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