Imagine que o juiz Sérgio Moro lesse em uma manchete da folha, por exemplo, que o cunhado de Lula foi pego negociando contratos ilícitos. Qual seria a reação do juiz e da imprensa diante dos fatos? Está claro que a mídia nacional não é imparcial, nem faz questão de ser, como visto em nosso Ebook Gratuito.

O fato concreto é que o advogado Rodrigo Tacla Durán, que representou a Odebrecht nos processos sob judice de Sérgio Moro fez duras acusações a respeito da idoneidade da Lava Jato.

Em 24 de novembro de 2017, Sérgio Moro decretou a prisão preventiva de José Antonio de Jesus, ex-Presidente da Transpetro. Na ocasião, o juiz de Curitiba declarou: “Presentes riscos à ordem pública, pela gravidade concreta dos crimes e também pelo risco de reiteração de condutas de ocultação e dissimulação, e à aplicação da lei penal, pelo risco de dissipação do produto do crime e de fuga, forçoso reconhecer a presença dos fundamentos da prisão preventiva” {{grifos deste blog}}.

Agora veja as imagens apresentadas por Tacla Durán:

O que o ex-advogado da Odebrecht está dizendo, em bom português é: “a lava jato pediu propina para reduzir minha pena”.  As palavras de Moro foram: “pelo risco de reiteração de conduta”. Considere que a Lava Jato ainda não terminou os julgamentos e ainda negocia outras delações premiadas e a única dúvida que resta é: Sérgio Moro mandaria prender preventivamente Carlos Zucolotto, caso ele fosse político? A resposta, ao que tudo indica, é um “sem dúvidas”.

Mais do que isso, Tacla Durán afirma que as planilhas da Odebrecht, aquelas que serviram de provas para boa parte dos políticos acusados de corrupção, foram adulteradas pela força-tarefa de Curitiba. Está claro que, apesar de uma perícia espanhola ter concluído que de fato houve manipulação criminosa do sistema de propinas da Odebrecht, ninguém na força-tarefa admitirá o fato.

Até porque isso resultaria em duas catástrofes para Moro e companhia: a possível anulação de todos os processos que tiveram essa tabela como base e o descrédito total e absoluto da operação que já leva quase dez anos.

Há ainda um agravante para o juiz curitibano: Carlos Zucolotto é padrinho de casamento de Moro. Isso não deve ser levado em conta? É possível assumir que Moro sabia dos ilícitos que Zucolotto supostamente teria cometido? Mas não é só isso. A esposa de Moro era sócia de Zucolotto.

Seria o caso de mais uma prisão preventiva? Depende de quem julga.

 

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