No mesmo dia em que Sérgio Moro adia depoimento de Lula com medo de uso eleitoral do depoimento, Alckmin é convocado a depor diante de seu ex-funcionário, que afirma não ver motivos para impedimento.

Luiz Henrique Dal Poz, ex-funcionário da gestão Alckmin, é o promotor responsável pelo processo no qual Alckmin é acusado de receber cerca de 10 milhões de reais em Caixa 2, vindos da Odebrecht.

Promotor e ex-funcionário de Alckmin, Luiz Henrique Dal Poz

O caso é bastante confuso e já mudou de instância por 6 vezes, atrasando seu início em pelo menos 8 meses, já que o acolhimento foi dado em novembro de 2017. Luiz Henrique foi chefe de gabinete da secretaria de justiça do governo Alckmin entre 2012 e 2016. 

Processo de Alckmin e de Lula: Dois pesos, duas medidas

Enquanto o processo contra o ex-presidente Lula ocorreu em prazo recorde e foi marcado por espetáculos na mídia – caso das gravações consideradas ilegais pelo STF, da condução coercitiva, entre outras – Alckmin conta com segredo de justiça, um privilégio que nem petistas nem outros políticos tiveram.

O inquérito contra o tucano foi retirado da força-tarefa da Lava Jato de São Paulo e enviado ao STJ, mesmo contrariando decisão do próprio Superior Tribunal de Justiça {{STJ}}. Quem tomou essa decisão foi Luciano Mariz Maia, primo-irmão de Agripino Maia, senador do DEM, partido historicamente alinhado aos tucanos.

Quando o processo retornou à 1ª instância caiu no colo justamente de quem? Do ex-funcionário do governo tucano. Alckmin já havia tido a possibilidade de dar seu depoimento em segredo e por escrito.

Nenhuma foto ou gravação de Alckmin foi entregue à mídia tradicional até o momento, discrição raríssima em processos recentes ligados à Caixa 2 e delações premiadas.

Tudo isso, diga-se, às vésperas das eleições. 

Mensalão tucano completa dez anos de impunidade, mas folha prefere chamar tucano para comentar caso Lula

Outro fato que chama a atenção foram as declarações do cientista político tucano, Bolívar Lamounier, na folha de São Paulo, justificando o fato de Lula estar preso. A folha, claro, não cita que Bolívar não é exatamente imparcial para comentar sobre Lula, prefere chamar apenas de cientista político.

Último 26 de agosto, participando de debate no diretório tucano em São Paulo

Sobre a prisão de Lula, a folha afirma: Muitos alegam que há uma perseguição contra Lula e PT. E ele responde:

Mas temos políticos de outros partidos também condenados. Um ministro do STJ acaba de confirmar a condenação a 20 anos de prisão do ex-governador Eduardo Azeredo {{PSDB}}

Mas a denúncia da Procuradoria-Geral da República sobre o mensalão mineiro foi feita há dez anos e Azeredo ainda recorre em liberdade. Isso não dá base ao argumento de que os processos correm mais rápidos contra o PT?

É uma ilusão acreditar nisso, não passa de uma falácia. Se Lula ficasse solto por alguns anos, com a capacidade de mobilização que ele tem, é evidente que criaria obstáculos para nunca ser preso.

É claro que o Azeredo não representa risco nenhum para a sociedade, para o processo. É uma figura tranquila, serena, não sobe em palanque em dia sim e outro também.

Ou seja, Lula, segundo o tucano, está preso por atuar como político. 

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