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O que começou como mero desvio de recursos, indicando possível uso de Caixa 2, vai se transformando num porão digno de filme de terror. As ligações cada dia mais claras entre a família Bolsonaro e um grupo de milícia no Estado do Rio de Janeiro atingem em cheio um dos filhos do Presidente eleito, mas atingem também a esposa. Fica difícil acreditar que tudo isso fosse desconhecido por Jair Bolsonaro, eleito com um discurso de moralização e nova política.

Não foi só o discurso de Bolsonaro que causou vergonha na imprensa internacional, foi também a coletiva que não aconteceu. Bolsonaro já dispensou sua assessoria de imprensa internacional, razão talvez pela confusão nas desculpas pelo bolo dado em jornalistas do mundo inteiro. Inicialmente foi dito que o problema era a “atitude antiprofissional” dos jornalistas – por fazerem perguntas? -, depois foi o cansaço do Presidente eleito e, por fim, a troca da bolsa de colostomia.

A real razão, no entanto, parece ser a ausência de respostas críveis a respeito de tantos indícios criminosos que pairam sob a família presidencial. Não foram apenas os depósitos de Queiroz {{o motorista vendedor}} nas contas de Flávio Bolsonaro e da Primeira Dama. Foram também contratações de parentes de milicianos. Milicianos que atuam na favela onde o próprio Queiroz se escondeu, que surpresa, para não responder à imprensa.

A imprensa tupiniquim finge surpresa nas esquivas de Bolsonaro, mas a verdade é que desde antes das eleições terminarem o modus operandi de Jair tem sido evitar o jornalismo sério e se escorar no chapa branquismo que agora tomam forma na Record e no SBT, mas que tomará, não se engane, a redação da futura CNN Brasil, composta por empresários ligados ao Presidente e que terá como chefe de redação alguém que saiu do jornalismo-assessoria que pratica atualmente a Rede Record e o portal R7. Resta saber se fingirão surpresa quando Queiroz for comprovadamente ligado à mesma milícia.



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Lei de Acesso desmantelada

Enquanto Bolsonaro se esquiva em Davos, Mourão aproveita a caneta para mostrar que não esqueceu os anos de ditadura e promove mudanças na Lei de Acesso à Informação. Novamente sob a surpresa-fake da imprensa tradicional brasileira – que assistiu por anos a fio o governo tucano no Estado de São Paulo fazer isso com as informações sobre abusos de policiais e nada reclamou.

 

Basicamente qualquer assessor poderá, a partir da canetada de Mourão, esconder por 25 anos indícios de mal feitos. Antes apenas ministros poderiam fazê-lo, o que implicava em chamar a atenção para inúmeros dados relevantes à sociedade.

Para se ter uma ideia, são 23 mil cargos comissionados no governo federal. Ou seja, 23 mil pessoas com o poder de esconder informações do público e da imprensa nacional. A pergunta que qualquer jornalista sério faria – mas que ninguém contratado pelas emissoras-assessoras da Presidência fará – é qual o motivo de tanto sigilo?

Lei de Acesso à Informação entrou em vigor nos anos de comunismo justamente em 2012, sob o governo Dilma Roussseff, a quem o atual presidente costumeiramente chama de terrorista e de querer destruir a democracia.

COAF limitado

Banco Central quer limitar atuação do COAF

O Banco Central quer excluir parentes de políticos da lista de monitoramento obrigatório das instituições financeiras. A autarquia propõe ainda derrubar a exigência de que todas as transações bancárias acima de R$ 10 mil sejam notificadas ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

As propostas entraram em consulta pública na quinta-feira da semana passada (17). Fazem parte de uma atualização das normas que o BC impõe aos bancos e demais instituições financeiras para combater a lavagem de dinheiro. Pelas regras em vigor desde 2009, pais, filhos, companheiros e enteados de pessoas consideradas politicamente expostas, entre elas os políticos, são alvo de uma vigilância mais rigorosa dos bancos, com o objetivo de monitorar e coibir eventual lavagem de dinheiro com origem em desvio de recursos do Estado.

{{não acredite em mim – Folha}}

Curiosamente o órgão que encontrou a ponta do iceberg do escândalo que atinge o Flávio Bolsonaro é também alvo de diversas mudanças. A primeira delas foi ir para a tutela do juiz Sérgio Moro cuja saúde oftalmológica preocupa desde os primeiros dias de 2019 . Agora o Banco Central quer que o órgão não mais fiscalize transações acima de 10 mil reais nem os parentes próximos de políticos. Curiosamente a medida beneficiaria parentes do Presidente e de seu filho.

Medidas em Conjunto: censura

O conjunto de medidas, aliados à ausência de entrevistas sérias e explicações sobre os mais variados escândalos – chegamos ao ponto do Ministro da Casa Civil admitir o uso de verba pública para campanha eleitoral e o Ministério Público ignorar – indicam, no mínimo, pouco apresso à transparência. Na pior das hipóteses, uma aproximação perigosa da velha censura.

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