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Após mais um de suas declarações, Bolsonaro causa espanto, fúria e indignação. Mas a culpa é de quem?

O Presidente Jair Bolsonaro causou indignação ao afirmar que contaria como Fernando Santa Cruz – pai do atual presidente da OAB –  foi morto na ditadura (oficialmente não se sabe do paradeiro de Fernando). A declaração foi dada em entrevista coletiva e depois confirmada pelo próprio Bolsonaro, numa transmissão ao vivo de seu corte de cabelos – apenas mais uma das bizarrices do atual mandatário, num misto de populismo barato e tosquice. Enquanto a imprensa se divide em ouvir especialistas sobre a declaração, o presidente da OAB promete ir à justiça e um ministro do STF afirma que “no mais, apenas criando um aparelho de mordaça”; a esquerda e os isentões {{e o Ciro Gomes, que ainda não decidiu qual alcunha – esquerda ou isentão – utilizar}} buscam culpados pela situação do país.

 

Alguém no Brasil hoje em dia bate palmas para o nosso Supremo Tribunal Federal? Estão batendo legitimando a corrupção

Bolsonaro, em entrevista à Mariana Godoy em 2018



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Antes das eleições Bolsonaro já havia afirmado, entre outras coisas, que “tem que fuzilar essa petralhada toda, tá ok?”. Antes, bem antes, afirmou ao programa CQC que não discutiria promiscuidade quando perguntado o que faria caso um de seus filhos namorasse uma moça negra. Também afirmou, muito antes, que a ditadura torturou pouco e exaltou, mais recentemente, o torturador Ulstra.

O mesmo ministro que hoje afirma que Bolsonaro precisa de uma mordaça participou do julgamento que absolveu o (agora) Presidente de racismo pelas declarações no CQC {{não acredite em mim – G1}}. A própria OAB participou da criminalização da política ao propor um “Impeachment pelo conjunto da obra” {{não acredite em mim – BBC}}.

Bolsonaro não é nenhuma surpresa. É o resultado prático de décadas da imprensa demonizando a política, da esquerda se afastando de suas bases sociais, seja no discurso fácil de “nunca antes nesse país os empresários ganharam tanto dinheiro“, seja no discurso populista do “PT se alinhou com a direita“; discursos que igualmente contribuem para a não politização da sociedade.

Pior é o aprofundamento desse método ao classificar todos os eleitores de Bolsonaro como fascistas ou estúpidos, como se o voto em Bolsonaro fosse um voto consciente daquilo que representava e não a força do inconsciente construído por anos a fio, de uma negação à classe política.

Circula em algumas redes de esquerda um texto, em teoria assinado por “Fiapo Carlos Araújo”, que resume bem o sentimento equivocado da esquerda brasileira, mas que poderia ser de qualquer isentão do momento {{alô Tábata Amaral}}:

ELE NÃO é o culpado

O Bolsonaro, não é o culpado!
O culpado, é o meu parente, o meu vizinho, o meu amigo…
O culpado, é o teu parente, o teu vizinho, o teu amigo.

A culpa é sempre do sujeito indeterminado. Do sujeito oculto {{existe isso ainda?}}. A culpa, já dizia Homer Simpson, é minha e portanto eu coloco ela em quem eu quiser.

Culpado é este imprenÇa. Culpado é você. Culpado somos todos que não conseguimos dialogar. Que não entendemos os anseios da população. Que adoramos repetir a expressão pobre de direita, sem se dar conta do óbvio: a conta bancária não é fator determinante para um pensamento político.

Sem se dar conta de que o discurso hegemônico no Brasil sempre foi o da direita. Que se a esquerda chegou ao poder foi porque soube se construir a partir dele e não negando isso. E que se hoje o povo nega a voz a quem, em tese, o representa, a culpa não é do povo.

Era bom que a ficha caísse logo, os direitos estão caindo aos montes.

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