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O mundo ficou chocado, mas a imprensa brasileira (bem como os eleitores) não pode se dar ao mesmo luxo; há anos Bolsonaro afirma as práticas de seu governo

Mesmo os mais desmemoriados de nós sabem que Bolsonaro utilizou de seu poder enquanto Presidente para se livrar de uma multa do IBAMA. Não faz nem 2 meses, o Presidente resolveu demitir o estatístico responsável por informar os dados do desmatamento na Amazônia. Mas não foi apenas depois de eleito que Jair Messias Bolsonaro fez o que pôde para impedir que o meio ambiente ficasse à frente dos lucros. As grandes empresas do jornalismo brasileiro não podem mais fazer vista grossa.

A agência Sportlight – que ao contrário das grandes corporações sempre fez um jornalismo sério – separou 6 discursos de Bolsonaro ao longo de seus 28 anos de mandato, que revelam o que todo mundo já sabia: ele não está nem aí para o meio ambiente.

{{não acredite em mim – Agência Sportlight}}

Áreas indígenas sob ataque

Historicamente os dados sobre desmatamento em áreas indígenas da Amazônia Legal mostram que quanto mais demarcação de terra, menos floresta desmatada. Ainda assim, durante 2017 e 2018, o desmatamento nestas terras havia crescido 124% – {{não acredite em mim – Instituto Socioambiental}}, o que indica um ataque às demarcações, exatamente como os discursos de Bolsonaro sinalizaram nestes últimos 28 anos.



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As Fake News como versão oficial

Os números nem sempre dizem aquilo que Bolsonaro e seu governo pretendem, por isso a escolha óbvia é… mudar os números O diretor do INPE se recusa a mentir? Demite-se. O desmatamento aumentou? Culpa das ONGs – que com certeza são comunistas – que pediram dinheiro ao ilibado ex-Deputado e não obtiveram seus recursos. Como vingança, diz o Presidente da República, as ONGs resolveram por fogo na Amazônia.

Já falamos sobre a guerra híbrida e o uso do Big Data para formulação das Fake News. Trump foi o precursor do modelo, com inúmeros sites falsos. Seu marqueteiro ajudou Bolsonaro nas eleições e a tática parecia funcionar muito bem com a dupla: “Discordou é comunista” e “A imprensa mente”. Acontece que há coisas que não se controla com meia dúzia de algorítimos.

A fumaça que fez a cidade de São Paulo anoitecer às 15h não tem como ser desmentida por um site desconhecido. O sujeito olha pela janela e está de noite; mas são 15h. E agora? Agora inventa-se uma desculpa esfarrapada como esta das ONGs. Por absurdo que pareça, funciona para alguns. Mas não para sempre, não por muito tempo.

O fato é que os delírios pseudo-desenvolvimentistas de Bolsonaro e sua trupe estão fadados ao fracasso. Enquanto a ideia era  vender agrotóxicos, podia até funcionar. Mas com desmatamento o mundo todo se preocupa. Então os financiamentos para conter os danos são certamente a ponta do iceberg, não importa o quanto Bolsonaro poste vídeos em sua conta oficial no Twitter.

Mesmo os produtores de carne e soja sabem que há certos limites que precisam ser seguidos. E isso não é consciência social, mas consciência empresarial, por assim dizer. Quando certos limites são deixados de lado, a comunidade internacional deixa de importar nossos produtos e aí começa a doer no bolso. A pressão sentida por Bolsonaro foi demonstrada num discurso que poucos assistiram e menos ainda acreditaram, em pronunciamento oficial.

Num discurso que pregava a racionalidade, Bolsonaro tentou convencer o mundo de que os últimos 28 anos de sua vida não existiram. Só não é pior do que a tentativa da imprensa de fingir que não sabia quem era Bolsonaro.

'Bolsonaro está começando a dar sinais de que está governando em benefício próprio'

Desde Estadão com o seu editorial “Uma escolha muito difícil”, até a Globo fingindo normalidade em um candidato à presidência que não participa de debates, todos colaboraram com a confusão eleitoral procurando igualar duas figuras bem distintas. Disse o Estadão:

De um lado, o direitista Jair Bolsonaro (PSL), o truculento apologista da ditadura militar; de outro, o esquerdista Fernando Haddad (PT), o preposto de um presidiário. Não será nada fácil para o eleitor decidir-se entre um e outro.

Bolsonaro fez discurso dizendo que deveria fuzilar quem é de esquerda. Haddad passou a campanha toda desafiando Bolsonaro para um debate de ideias. É possível discordar de Haddad em tudo, mas igualar os dois em questão de radicalidade é surreal. Tão surreal que agora, 8 meses depois da posse, a própria Globo começa a mudar o discurso.

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