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Bolsonaro pai e filho espalham Fake News na esperança que a população acredite que seu governo está sendo boicotado por ambientalistas e que Nair Brizola tem razão

Quando a o tempo fechou em São Paulo e a noite chegou mais cedo por conta das nuvens das queimadas, Jair Bolsonaro resolveu culpar as ONGs pelos atos. “Tudo indica”, disse o Presidente, que pessoas se prepararam para tocar fogo na mata e depois filmar, com o fim de desgastar o governo ilibado. Bolsonaro não mede esforços para culpar o estatístico, as ONGs e quem mais puder pelos erros de seu governo. Ao contrário do que afirma, porém, os fatos costumam indicar que as ações governamentais é que ajudaram nas queimadas.

Pois eis que no dia 25 de agosto, 4 dias depois das acusações sem provas feitas pelo Presidente, seu filho e possível futuro embaixador, Eduardo Bolsonaro, posta uma matéria do Globo Rural, que supostamente corrobora com a versão de seu pai.

Eduardo Bolsonaro tenta espalhar fake news

Eduardo Bolsonaro tenta espalhar fake news – {{não acredite em mim – Twitter}}

A matéria informa que um grupo – não de donos de ONGs, mas de “sindicalistas, produtores rurais, comerciantes e grileiros” se reuniu no WhatsApp e combinou um dia chamado “Dia do Fogo”, com o intuito de “mostrar ao Presidente Jair Bolsonaro que apoiam suas ideias de ‘afrouxar’ a fiscalização do Ibama”, diz a matéria assinada por Ivaci Matias.



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O problema é que, mal escrita, a matéria dá voz – sem checar, confirmar ou desmentir –  a uma versão de que o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) estaria por trás das queimadas e isso foi o suficiente para que a Fake News proposta pelo Presidente fosse proliferada.

Depois que a denúncia do “Dia do Fogo” veio a público, uma nova versão circula por toda a região. A pecuarista Nair Brizola, de Cachoeira da Serra, faz eco a uma história que ouvimos em toda parte. Ela nos procurou quando circulava pela estrada da “Bucha”, onde nossa equipe documentava uma queimada.

–“Vocês são do meio ambiente?”, gritou ela de dentro de sua caminhonete.
-“Não. Somos jornalistas.”
– “Que ótimo. Que ótimo,“ diz em seguida.
– “Quem está colocando fogo por aqui?”, pergunto a ela
– “É o ICMBio [a sigla se refere ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade]. Tinha uma moto preta colocando fogo em tudo aqui. E eles foram na minha propriedade com essa moto amarrada em cima da caminhonete deles. Tava escrito lá na porta”

{{não acredite em mim – Globo Rural}}

A matéria esqueceu de informar que o ICMBio não é uma ONG e a pecuarista Nair Brizola tem um histórico um tanto controverso.

Nair Brizola é na verdade Nair Petry Silveira

Ex-candidata a vereadora pelo PSDB de Mato Grosso, a pecuarista recebeu uma multa de R$1 milhão por supostamente “destruir 70,93 hectares de floresta do bioma amazônico mediante uso do fogo” ou seja, a moça foi multada por por fogo em 700 mil metros quadrados de floresta amazônica.

Área destruída pelo fogo supostamento feito por Nair Petry

Área destruída pelo fogo que levou a multa que Nair levou

Multa dada pelo ICMBio a Nair Brizola

Multa dada pelo ICMBio a Nair Brizola

A matéria também esquece de mencionar a multa que Nair levou dias antes de fazer a acusação. E quem deu a multa? O próprio ICMBio, acusado por Nair. A fake news é mesmo a voz corrente do governo federal, tanto que um dos diretores do ICMBio afirmou que “investigará informações” de que o próprio instituto coloca fogo onde deveria proteger. O vídeo, claro, foi divulgado pela turma Bolsonarista:

 

Ver essa foto no Instagram

 

Uma publicação compartilhada por Homero de Giorge Cerqueira (@coronel_homerocerqueira) em

 

Um outro governo talvez fizesse um vídeo informando que se trata de óbvia inverdade. Mas não este. Este é um governo diferente.

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